Blog do Sonho Eterno

Archive for janeiro 2008

Para quem não sabe, sou vegetariana muito antes de ser uma vaishnava. Tudo começou com meus 13 anos de idade, quando levei uma picada no pé de uma formiga ou abelha, o médico não conseguiu identificar, e meu deu um processo alérgico… formou uma celulite no meu pé que poderia me dar infecção generalizada. Tive que fazer uma micro-cirurgia às pressas, para tirar aquela infecção. Quando olhei para meu pé recém operado percebi uma semelhança indiscutível entre eu e o presunto, na cor, no aspecto, na textura. Fiquei enojada e pensei: estou comendo algo que nem eu. E iniciei um processo de vegetarianismo. Apenas aos 18 anos comecei a me contestar de algumas coisas e procurei uma religião que tinha algo que nem minhas crenças e o que me tocou na consciência de Krishna foi atribuírem alma aos animais, logicamente um dos princípios dos Hare Krishna é não comer os bichos.

Geralmente não sou muito ativista vegetariana, nunca fui a protestos, embora seja extremamente radical e não consiga comer em ambientes empreguinados com o cheiro da morte, como churrascarias, rotisserias, restaurantes mineiros e restaurantes com frutos do mar. Tenho muitos vídeos pro-animais e quando me dá na cuca coloco na TV da sala em plena reunião familiar. Fora que quando as pessoas me questionam porque sou vegetariana, minhas respostas são sempre bem pesadas e clara.

Não sou vegetariana por minha saúde, ser vegetariana apenas porque os vegetarianos envelhecem mais tarde, tem uma digestão mais rápida e leve, porque nunca fico resfriada… são motivos egoístas. É claro que sendo vegetariana desfruto desses pequenos detalhes, mas sou uma vegetariana consciente, não como bichos por piedade, compaixão… por ter compreendido que um boi, um frango e um porco são que nem minha gatinhas Ana Magali e Kessy Mariana. E para aqueles um pouco mais observadores vão ver que os animais tanto os domésticos como os silvestres são como eu e você, eles têm amor, eles sofrem e temem demais a morte, vá a um abatedouro e comprove! A única coisa que nos difere dos bichos é o nosso nível de consciência. Nós sabemos, por exemplo, que comer um fruto caído de uma árvore gera um tipo de violência x, ao ponto que quem derruba o sangue de uma vaca, mãe de família, para se alimentar a violência é y. Muitas vezes as pessoas apontam que quando eu tiro um pé de alface do solo estou matando a planta, da mesma forma que se mata uma galinha. Minha manifestação não vem antes de uma gostosa gargalhada, esse é o bordão típico dos não vegetarianos para nós. Quantas vezes respondemos essa pergunta? Geralmente faço uma outra interrogação, para fazer o cara pensar. E se tem o mínimo de inteligência, ele mesmo responde a pergunta anterior.

Acontece que recentemente escutei dois absurdos grandes. O primeiro foi um primo meu que era vegetariano. Ele justificou que voltou a comer carnes porque se sentia fraco. E a outro foi que uma grávida famosa supostamente vegetariana durante a gestação teve que voltar a comer carne a pedido do seu médico. Agora vem a minha pergunta, porque como escrevi anteriormente, gosto de fazer os outros pensarem: como os esportistas que são vegetarianos conseguem tamanha força? Como se pode existir campeões vegetarianos? Como as mães straigh edge fazem durante a gestação? E as mães Hare Krishna? E as mães na Índia? Para quem não sabe na Índia se você come a carne de uma vaca você perde a sua casta, embora esse sistema legalmente não existe mais, na prática ele vigora, até nos jornais você vê pessoas procurando casamentos pela casta e perdê-la é como estar socialmente morto. É questão de pensar e não justificar sua fraqueza com os outros, embora todos nós saibamos que é muito mais fácil colocar a culpa, quando alguma coisa não esta certo em alguém, seja no médico, na mãe – eu tinha uma amiga que dizia que não era vegetariana porque a mãe não deixava, ela tinha exatamente a minha idade. No começo minha mãe também me criticava, eu tive que aprender a cozinhar cedo, mas hoje colho os frutos de ter uma mãe também vegetariana.

PS: Quando somos vegetarianos estritos por anos, se voltamos a comer carne passamos mal, mas não é uma simples dor de estômago é passar mal mesmo! Um filho de uma amiga minha comeu salsicha na escola e ficou alguns dia internados, o que nos faz crer que essas pessoas que voltam a comer carne numa boa, nunca deixaram de fazê-lo.

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O feriado de final de ano foi estupendo! Contrariando o noticiário, não peguei congestionamento nem para ir e nem para voltar… filas no pedágio? Nem pensar! Acho que foi questão de sorte. Lá em Paraty pegamos quatro dias de sol escaldantes com direito a banho de rio. Revi amigas queridas como a Krishna Mayi dd, Yadhurani dd, Ruci dd, Krishna Priya dd, Goura Vrindavana dd, Vraja Lila dd entre outras e fiz novas amizades como a Amrita Keli dd e a Bn. Áurea. Estar em Goura é prazeroso e voltar para casa aperta o peito. Na estrada, durante o retorno para a cidade grande, recebi dois telefonemas da minha mãe. Em ambos ela perguntava porque estava com a voz triste, não soube responder na hora… mas uma rápida reflexão me fez pensar na saudade de Goura Vrindavana. Despedir-me do Guru é difícil, sempre tenho coisas a mais para fazer e deixar a fazenda parece que estou abandonando o seva. Parte o coração!

Lá em Goura o clima é bom. A gente pode ficar com os bois, comer prasadam recém tirada da horta, andar com pé no chão, tomar banho de cachoeira, ficar com os amigos… sabe qual é o tipo de problema que tem lá? Não é assalto ou seqüestro e sim que a vaca não vai dar leite porque o bezerro bebeu demais. E a halava? Acho super divertido. Queria ser que nem os devotos que estão morando lá e dedicando em tempo integral a esse projeto maravilhoso. Infelizmente tenho muito apego a minha família e tenho medo também de sentir-me só.

O festival de final de ano em Goura Vrindavana dessa vez foi ainda mais especial. Além do retiro espiritual, as confraternizações, a festa com a criançada da região e a tradicional cerimônia de iniciação, tivemos a instalação da deidade de Anantha Sesha. Essa deidade é enterrada abaixo do local aonde será o altar do templo. Antes se faz um bocado de rituais, dente eles o abisheka e até eu tive oportunidade de banhar a deidade. Foi muito bom e bonito. Tivemos quatro arenas, fato inédito no Brasil, segundo Kesava Kasmiri das.

Foi ainda mais importante para mim, porque por misericórdia sem causa recebi minha segunda iniciação. Não esperava ganhar agora, pensei que só a teria daqui uns cinco anos, fiquei sabendo que ia ser iniciada uma noite antes da cerimônia… algumas pessoas ficaram chateadas e soltaram o clássico você não me contou. Mas nem eu sabia! Recebi a noticia já estava nanando. A Krishna Mayi dd bateu no meu ashrama e me fez o convite a pedido do Guru. Titubeei um pouco, não fazia nem um ano que recebi a primeira iniciação (1a. 01/01/07 e 2a. 30/12/07), mas a mataji me fez mudar de idéia dizendo que era uma grande oportunidade que o Guru estava me dando. Então aceitei e quando o Guru soube que concordei e veio confirmar comigo, deu um sorriso bonito e contagiante típico das crianças que muitos adultos perderam, mas ele não.

Agora canto o gayatri e é interessante como isso se comporta dentro de mim. Sinto-me estranha, com o coração feliz, meio acelerado e muito entusiasmado… uma coisa diferente. Para ter uma idéia já sonhei durante uma noite toda com os versos do Gayatri e durante o dia fico muito feliz quando chega a hora de cantá-lo, é o prazer da vida espiritual. Sei das responsabilidades que adquiri e quero fazer jus a ela. Gurudeva disse-me entre outras coisas que agora poderia adorar a deidade no altar. No mesmo dia liguei para meu amigo Doyal Nitai Caitanya dasa comemorando e contando a novidade, ele será meu instrutor, pedi ao Guru que fosse. O Doyal é um amigo que amo muito. Ele é muito querido, leal, simpático, bonzinho, nunca me paquerou, é dedicado… em outras palavras uma pessoa admirável.

Na hora do reveillon descemos o vale da Graúna e fizemos um belo harinama pela cidade. É impressionante o pique do Guru. Eu com dezenas de anos a menos que ele nas costas agüento muito menos. É eletrizante! As devotas estavam num clima bem frenético, a gente entra em estase de tanto cantar Hare Krishna e é, sem sobra de dúvidas, a melhor forma de entrar o ano.

Foto dos Fatos:

Quando cheguei a Goura sábado de manhã, já armei a barraca, quer dizer o bazar. A Ruci, a Krishna Priya e a Harineusa me ajudaram. O Abhay foi nosso primeiro cliente.

Harineusa e eu. Estávamos montando a lojinha. Lá em Goura tudo é festa e motivo para se fotografar, ainda mais quando junta essa turminha.

Eu e a Ruci fazendo fita com a mataji do bazar. Essa estampa é nova, levamos exclusivamente para vender em Goura e já recebemos encomenda dela aqui em São Paulo. Haribooool! Comprem bastante e nos ajude a construir o templo de Goura.

O Gokula Pati, que estava trabalhando na cozinha, passou e também saiu na foto.

Amo muito a Ruth. (Piada interna)

Ninguém merece ter esse adesivo na porta do ashrama. Tinha que ser a Ruci!

Doação de roupa para os vizinhos de Goura. A festinha tinha muita gente simples do interior. Gui, olha aqui o seu bichinho de pelúcia nos braços da criança.

Muitas roupas e brinquedos da escolinha! Os devotos de Goura organizaram tudo em mesas onde as pessoas tiveram muito trabalho para desorganizar tudo!

Os bastidores do teatro.

Dessa vez eu apareci, na verdade não fiz nada na peça, só tirei as fotos e dei muita risada. O carioques estava solto!

A Ruci e a Priya tinham certeza que as crianças estavam vendo-as. Muitas caras, bocas e gargalhadas.

Close-up num garotinho que estava bem concentrado.

A platéia.

Toda criançada reunida.

O Klim não agüentou e foi dar uma espiada atrás da cortina.

Goura Vrindavana e Klim distribuíram muitos brinquedos.

Krishna Priya e Bn. Áurea distribuíram material escolar. Fez o maior sucesso! Essa doação à Áurea conseguiu junto a VW.

As quatro arenas… o Kesava falou que vai entrar para a história!! A foto não faz jus a beleza e grandiosidade do local.

Olha o meu estadinho! Fazia muito calor e com o sari estava insuportável. Pingava suor da ponta do nariz para a co
xa.

Uma das arenas, a mandala com a estrela de Davi, como é conhecido esse símbolo no ocidente.

Outra mandala com o símbolo da eternidade.

Esta era a principal mandala, localizada ao centro e com toda a nossa oferenda.

Essa mandala tinha o símbolo dos vaishnavas.

As irmãs espirituais. Radha-Priti, Tatiana, Amrta Keli e Aurea.

Shilas de Gurudeva. Radha e Krishna… é uma pedra sagrada e muito rara!

Kesava Kasmiri exibindo sua Shila de baleia. Presente da Krishna Kula dd.

Os brahmanas cantam o gayatri, achei que esse momento ficou bem bonito.

O Guru chega e da uma olhada na arena. Ele parecia muito feliz…

Eu mostrando que guirlanda era de quem: dos iniciados, do guru, dos brahmanas, da vaca, da bezerra, dos cocos e da deidade Anantha Sesha.

As duas bandeirolas, maha prasadam de Jagannatha Puri.

O Guru entre as bandeirolas. Foto da Ruci.

Antes da cerimônia de iniciação Gurudeva confirma se vou receber a segunda iniciação. (Foto por Michelli Castro)

Talvez a mataji que fez essas duas fotos, a Michelle Castilho nem sabia o que se passava nesse momento. Mas essas fotos são muito significativas para mim. (Foto por Michelli Castro)

Kesava Kasmiri mostra a deidade para foto.

Vai começar o abisheka.

Vista detrás do altar.

Aqui a deidade seria enterrada.

O guru, como se manda a etiqueta vaishnava, foi o primeiro a banhar a deidade.

Detalhe.

Depois outros devotos também banharam a deidade…

A vaquinha chega para a festa. O leite do absheka foi tirado na hora!

Enquanto isso os devotos faziam um bonito bhajan.

Gurudeva acaricia a vaca.

Eu e Rucinha na festa.

A deidade sendo enterrada.

O Guru depositando água de 1008 rios sagrados.

Colocam uma grande pedra sob a deidade.

Com a ajuda de todos, logo o buraco do subsolo estava coberto.

Kesava amarra uma fitinha vermelha no braço do Guru simbolizando o comprometimento da construção do templo. Depois todos amarraram fitinhas.

Pronta para mais uma iniciação.

Close-up que a Vraja Lila fez de mim. Obrigada linda!

Kesava e uma visão de quase toda arena.

O Guru apresenta os devotos que receberiam a segunda iniciação.

Estava rindo a toa.

Luciano recebeu o nome de Lilavatara das.

Amrita Keli dd ou o docinho de Radharani. Ela ficou inflada.

Gurudeva.

Últimos momentos.

A gente queima a banana no fogo. Tem que cuidar para queimar.

Foto oficial dos iniciados.

Com isso, minha próxima cerimônia de fogo é o casamento ou a morte.

Eu distribuindo prasadam da arena. Gosto de pegar um cacho de bananas e dar para os convidados. A gente atinge mais gente em menos tempo.

Todo mundo se confraternizando.

A Amrta Keli prometeu que me daria uma melancia e cumpriu.

Claro que teria que ter uma foto desse momento.

Gokula Pati, eu e Amrita Keli. Tudo é festa!

Harineusa levou a melancia lá para baixo e eu dei a idéia de colocar no rio para gelar. Todo mundo deu risada da minha técnica, mas ao final, todos desfrutaram da melancia fresca.

A Priya, que já conhecia a técnica, arrumou um lugarzinho para a gente.

Em Goura tem tantos mosquitos que temos que cantar j
apa com mosquiteiro. É brincadeira! Isso foi para Ruci!

Ruci e eu brincando de sombra.

Eu e Harineusa com Bermudas iguais.

Sou apaixonada por esse touro. Todas as vezes que vou a Goura faço uma visita no Curral, para meus irmãos espirituais e para as vaquinhas.

Eu e a Maha Vidya, instantes antes de pegar o gayatri.

Segundo o Guru, as matajis arrasaram. Eu não levei minha câmera, tirei fotos com a maquina do Guru, mas não salvei para mim. Essas próximas 3 fotos são roubadas da Ruci, acho que a Harineusa foi quem fez as fotos.

Nosso harinama.

Vedavyasa e Vraja Lila exibem o lindo DVD que produziram. Quem quiser comprar é só falar comigo. Trata-se do show de Atmarama dasa em Porto Alegre.

Krishna Priya e eu. Ela com um presente que eu dei para ela. Eu com um presente que ela me deu.

Vraja Lila e eu. Acho essa devota muito bonita e querida.

Tati e eu. Amo!

Yadurani e eu. Só falei nessa mataji o final de semana todo!

Foto brega com a helicônia. Tiramos várias dessas.

Amo minha amiga.

Saudades. Até o ano que vem!!

Vídeos do harinama em Paraty disponibilizados pelo Bk. Eduardo:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=YQGSlYKCYaA&rel=1″>

E para a coisa acabar ainda mais feliz, consegui o meu visto de cinco anos para os Estados Unidos. Fiz a minha entrevista no segundo dia do ano e sem sacrifício algum, sem mostrar nenhum documento além do passaporte fui aprovada!

Pois é, dessa vez comecei o ano diferente e como queria. Entrei o ano com os dois pés direito. Estou explodindo de tanta felicidade.

Hariboooooool!

PS: O prabhu Manorama deu a idéia de continuarmos nosso sarau de poesia no ano que vem. E ai meninas? Ruci, Harineusa e Áurea???


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