Blog do Sonho Eterno

Archive for março 2008

Um dia, há milhares de anos, Krishna e Arjuna caminhavam em silêncio pelo alto de uma montanha apreciando a paisagem que se descortinava na extensa planície abaixo. Os olhos do Senhor Krishna brilhavam e poderia se dizer que o azul do céu estava neles. Parecia que as miríades de estrelas do universo habitavam aquele olhar sereno, e ao mesmo tempo, divertido como o olhar de uma criança travessa.

Krishna voltou-se para o seu discípulo-arqueiro e disse-lhe: “Narananda (Arjuna), os homens carregam o esplendor divino em seus olhos, mas permitem que as hordas inferiores de seus dramas tome posse de suas vidas e os levem ao reino do caos. O resultado disso é a guerra e a miséria. Em lugar do brilho, eles portam um ar de tristeza e sentem-se abandonados pelos céus. Na verdade, eles foram abandonados por eles mesmos. Esqueceram do Supremo que habita em seus corações e entregaram-se às emoções grossas.
Permitiram que as ondas trevosas de seus egos chegassem às praias secretas do coração.

Veja, os seus olhos estão opacados pela tristeza. Parecem seres deserdados da divindade, mas isso não é verdade. Continuam sendo crianças divinas e cheias de potencial criativo.

Meu amigo, eles olham para as estrelas do céu e sentem saudades, mas não percebem as estrelas que brilham nos céus de seus corações. Esperam pela vinda de algum salvador celeste que lhes oriente na jornada e diga-lhes o que fazer, mas não são capazes de acessar as vibrações miríficas que as hostes celestes derramam continuamente sobre eles a partir dos planos sutis.

Ah, homens da Terra! Falam de perdão sem perdoar. Brincam de amar sem amor. Falam do Supremo com suas bocas tristes e pretendem aprisionar o Divino em seus dogmas violentos. Observam os defeitos alheios e por isso não percebem o tamanho do próprio rabo arrastando-se pelo solo de seus dramas.

Parece que se acostumaram à semiconsciência e a inércia consciencial. No entanto, apesar de tudo isso, ainda são crianças divinas. O tempo lhes orientará na jornada da experiência e eles crescerão em inteligência e amor. São eternos e são amados pelo Céu mais do que imaginam.

Narananda (Arjuna), Eu os amo incondicionalmente e estarei com eles em todo o tempo de sua jornada na Terra e mais além… Nada poderá afastar-me deles, nem mesmo as suas ingratidões ou os seus gritos de tristeza descabida. Minhas hostes de trabalhadores invisíveis estarão aportando continuamente as luzes espirituais nos caminhos daqueles que batalharem por dias melhores na existência de todos. Muitos de meus trabalhadores reencarnação sucessivamente na crosta do mundo e espalharão as luzes do esclarecimento espiritual. Eles serão portadores de clarinadas luminosas e despertarão a muitos outros em suas tarefas.

Meu caro, prometo-lhe que nunca deixarei de abraçar invisivelmente a humanidade. Enquanto os homens não despertarem, Eu estarei viajando com eles dentro do coração espiritual. Eles não perceberão minha presença, mas tocarei a minha flauta e alguns escutarão lindas canções enquanto trabalham no despertar. Outros perceberão a minha dança e o meu sorriso amparando-os sutilmente na jornada.

Você também entrará na roda reencarnatória e servirá aos seus irmãos em meu nome. Viajará com eles por várias vidas, como homem igual e simples, lado a lado, e entregará os frutos de seu labor a Mim, o senhor de sua vida e mentor de seus propósitos.

E quando o seu coração for preso pela angústia e pela solidão, lembre-se do meu sorriso. Em qualquer situação estranha, pense em Mim. Quando você ver o cadáver de uma criança morta ou de um ancião, pense em Mim.

Você sabe: o espírito não nasce nem morre, apenas entra e sai dos corpos perecíveis. Que fogo poderá queimar o eterno? Que água poderá molhar a estrela divina?

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Ontem foi o Goura Purnima, gostaria de estar em Goura Vrindávana com meu Guru, com meus irmãos espirituais e com os outros devotos amigos. Porém não tive campainha para a viagem e acho um pouco perigoso uma mulher sozinha viajar tantos quilômetros, somos presas fáceis para os maus intencionados.

Fiquei no Guarujá, com pessoas não menos queridas, ou seja, minha família. Embora a vontade do vaishnava é comemorar datas importantes com pessoas de mesmos ideais, não estava infeliz de estar com eles, que são pessoas que amo. Mas aos poucos as comparações são inevitáveis e sinto saudade dos kirtanas, do banho de cachoeira gelada, dos bate-papos e até de cozinhar para os devotos. Na praia existe aglomeração, a gente escuta a conversa das pessoas de todos os nossos quatro lados, de tão perto que está o seu guarda-sol. Cria-se um clima ideal para a bebedeira e quando a gente caminha pela praia, pela orla ou qualquer rua mais movimentada sentimos uma marofade álcool, cigarros, maconhas e outros porcariadas. Eu quero ir para Goura! Minha mente repete isso todas as horas, lá sou muito mais feliz, muito mais sorridente… aqui sou sem-graça… simplesmente! Penso que essa austeridade desnecessária que vivo agora, seja importante para me conhecer melhor e entender que uma vida mais simples, junto com pessoas mais parecidas comigo, seria o ideal.

Fotos de ontem:


Praia lotada!

Recebendo um beijo da minha prima.

Minha prima e eu.

Eu dando um beijo no meu irmão.

Minha mãe.

Meu pai.

Cecilia.

Guilherme.

Terezinha.
Aqui no Guarujá o céu estava encoberto e não conseguimos observar a lua cheia!

 

Freqüentemente indianos me adicionam no orkut. Eles acham que nós ocidentais somos mais quentes do que as nativas de lá. E de certa forma tem razão, a mulher brasileira geralmente transborda sensualidade, roupas curtas, decotadas, cinturas baixa e barrigas a mostra… fora que aqui não existe a tradição de casar-se virgem, e tudo isso sempre deu corda para nosso turismo sexual. Embora esteja enquadrada nessa sociedade, acredito eu que sou muito mais travada que muita indiana, não tenho o habito de paquerar ou responder positivamente a investidas. Às vezes escuto da amiga aquele cara era ó gatinho e você não deu bola para ele. O que acontece de fato é que eu nem vi o gatinho.

Esses dias o indiano que estava há algum tempo entre meus amigos do Orkut me adicionou no MSN. E de fato converso com eles para ver se enriquecem a minha cultura como vaishnava, porém o que vejo é que a maioria é mais cru do que eu e só querem falar bobagens para a gente. Um dia um indiano pediu-me uma foto de biquíni, além de bloqueá-lo, sugeri a leitura de alguns versos do Bhagavatam. Mais recentemente um rapaz que me adicionou pediu para me ver pela web cam. Deixei. Depois de um tempo ele começou a insistir para que eu levantasse, ele queria ver o meu corpo. Então resolvi deixar, sem antes colocar um vestido balonê. Quando o indiano me viu com ausência de contornos perguntou-me -você é gorda? Respondi: -Muito gorda! E nunca mais o vi on line!

 

(Mario Faillace)

 

O coração sangrava. Outrora apaixonado, gotejava agora, em vermelho, suas lembranças.
Alegrias e frustrações vinham à tona. O fim não representava alívio. Tinha tesouros que eram seus para sempre, mas sabia que seguiria só, dali para a frente, e isso não o deixava feliz.

Arrumou a mesa de jantar e, sem companhia, fez sua ultima refeição naquele lugar. Entrou no carro. Não levava bagagem, mas o porta-malas não fechava, lotado de recordações.

Às vezes sou pega por sentimentos pequenos e grosseiros, que me fazem ficar meio down. Tenho vinte e seis anos de idade e não tenho um bom emprego, não sei dançar, não sei tocar piano, não sei falar inglês como gostaria (ou deveria)… sou uma pessoa sem graça! Estou mais próxima dos trinta do que dos vinte e minha vida é uma caixa de incertezas e angustias. Sinto-me sozinha mesmo com um monte de gente ao meu redor. Sinto-me um peixe fora d’água mergulhando no mar do luxo e da luxuria, esperando apenas ser pescada, com aquela idéia que qualquer outro lugar estaria melhor. As vezes sinto que nada vai mudar e me pergunto será que eu realmente quero mudar? Vejo me presa num mundo que não me agrada e que sou prisioneira de mim mesma. Estou de férias há quase trinta dias e já ingeri toda variedade de fast-foods e outras porcariadas. Devo ter engordado e isso me deixa desesperada. Convivo com minha mãe, que apesar de amá-la indiscutivelmente parece pouco ligar para meus sentimentos e vontades. Prefere que fique perto dela a ser feliz, e fala isso sem o menor constrangimento do mundo.
Tenho pedido muito para Krishna equilíbrio e serenidade.

Hoje o mar estava com uma cor incrível, acho que foram os dias de chuva, que o deixou completamente revigorado. A praia estava lotada, embora ainda seja quarta-feira. Daqui a dois dias é o feriado “da semana santa” onde o católico acha que esta fazendo o máximo porque não come carne, só peixe, que não é carne e sim fruto, dá ali, naquela árvore do vizinho.

Minha mãe me perguntou por que não se come carne nesses dias. Respondi que seria uma espécie de agrado a Deus, mas que ela poderia ficar despreocupada, porque sendo vegetarianas, agradaríamos Deus o ano inteiro.

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Para manter o nível do post anterior vou continuar falando em calcinhas. Adoro calcinha, biquínis… alias, gosto de roupa, sempre fiz roupas para mim, estudei moda na graduação, nunca me vesti convencionalmente ou na última moda.

Sempre preferi calcinhas com o modelo tanga, elas não são fio-dental, mas são bem pequenininhas (como as das duas modelos a esquerda da foto acima), calcinhas maiores (como as duas modelos a direita da foto acima) tem a conotação que é para a mulher mais madura ou cheinha. As calcinhas grandes brasileiras aparecem no cós das roupas de modelagem jovem atual, que a cintura é freneticamente baixa (a moda de cintura alta não pega no Brasil). O único inconveniente é que às vezes a tanguinha entra no bumbum e isso é um pouco incomodo.

Comprei umas calcinhas do padrão americano. Elas são pequenas e baixas na frente e tem a parte de trás bem maior que minhas antigas tanguinhas. Adorei a experiência! É extremamente confortável, como não tenho a intenção de ser sensual, o modelo é ideal.

Enjoy it!

(Tom Jobim)


É pau, é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho
É um caco de vidro
É a vida, é o sol
É a noite, é a morte
É um laço, é o anzol
É peroba no campo
É o nó da madeira
Caingá candeia
É o matita pereira
É madeira de vento
Tombo da ribanceira
É o mistério profundo
É o queira ou não queira
É o vento ventando
É o fim da ladeira
É a viga, é o vão
Festa da cumeeira
É a chuva chovendo
É conversa ribeira
Das águas de março
É o fim da canseira
É o pé, é o chão
É a marcha estradeira
Passarinho na mão
Pedra de atiradeira
É uma ave no céu
É uma ave no chão
É um regato, é uma fonte
É um pedaço de pão
É o fundo do poço
É o fim do caminho
No rosto um desgosto
É um pouco sozinho
É um estepe, é um prego
É uma conta, é um conto
É um pingo pingando
É uma ponta, é um ponto
É um peixe, é um gesto
É uma prata brilhando
É a luz da manhã
É o tijolo chegando
É a lenha, é o dia
É o fim da picada
É a garrafa de cana
O estilhaço na estrada
É o projeto da casa
É o corpo na cama
É o carro enguiçado
É a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte
É um sapo, é uma rã
É um resto de mato
Na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho
É uma cobra, é um pau
É João, é José
É um espinho na mão
É um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É um passo, é uma ponte
É um sapo, é uma rã
É um belo horizonte
É uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

Só chove desde que cheguei no Guarujá, não aguento mais ficar na net.