Blog do Sonho Eterno

Archive for the ‘Hare Krishna’ Category

Pensei em esperar até maio, quando farei um especial noivas durante todo o mês no blog, mas me encantei com esse casamento estilo indiano que aconteceu em Teresópolis, mais precisamente na comunidade rural Vraja Bhumi, coordenada por Maharaj Chandra Mukha.

A noiva chama-se Deborah, minha xará, e segundo ela, nosso blog a auxiliou a comprar seu sári  e alguns acessórios usados durante a crimonia, indicamos a loja Geeta, que fica em Pinheiros, São Paulo.

Como foi o segundo casamento de ambos, suas filhas forma as madrinhas e usaram sáris cor-de-rosa de seda.

Foto de Srila Prabhuada o pai (ou avô) espiritual de todos os devotos Hare Krishna da ISKCON.

Adoro essas fotos de mãe e filha, passa tanto carinho…


O Vitor, o noivo, estava curioso para ver Deborah.

Deborah não é devota, mas optou por esse tipo de casamento, ficou linda. As fotos tirei daqui.

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(Reproduzido do Jornal de Comunicação da ISKCON # 19 Setembro de 2001)

Por Archana-Siddhi Devi Dasi

Entrei ISKCON em 1976. Naquela época, eu estava na faculdade estudando para me tornar uma psicoterapeuta. Em 1990, voltei para a escola e terminei meu mestrado em Clínica Social. Desde aquela época eu aconselhava um número de casais devotos que estavam lutando para se manter em seus casamentos. Muitas vezes, o casal só precisa aprender algumas habilidades básicas de relacionamento. Em outros momentos, o casal enfrenta situações muito difíceis que os obrigam a fazer ajustes em suas práticas conscientes de Krishna ou percepções, a fim de sobreviver como um casal e manter-se na associação dos devotos.

Alguns anos atrás, um casal abandonou a associação dos devotos. Quando eu perguntei por que eles saíram, eles responderam que preferiam serem bons cristãos a devotos ruins. Não era a primeira vez que eu tinha ouvido essa lógica, e eu me senti muito triste por este casal sentir que era tudo ou nada. Enquanto na ISKCON o casal havia se deparado com a abstenção da intimidade sexual; no cristianismo encontraram uma religião em que a intimidade sexual é permitida.

Eu conhecia outro casal que tinha três filhos. O marido deixou a esposa devota, porque ele não estava pronto para se abster totalmente de sexo. Sua esposa, por outro lado, não queria mais filhos e se recusou a considerar romper os princípios regulativos para satisfazer sua luxúria. Ele acabou tendo um caso e deixando sua esposa com seus três filhos, sem meios de subsistência. Ela acabou tendo que arrumar um emprego em um restaurante não-vegetariano para sustentar seus filhos. Ela tinha cada vez menos tempo para sadhana e eventualmente desapareceu da associação com os devotos.

Estes são os cenários trágicos provocados pelo pensamento inflexível em preto-e-branco. Tal pensamento afetou todo nosso movimento em seus primeiros anos e talvez seja uma etapa inevitável de desenvolvimento do crescimento de um movimento espiritual. Mas Srila Prabhupada não era um fanático. Ele tomou decisões concretas e fez ajustes para ajudar a transplantar os ensinos e Cultura Védica à nossa mentalidade ocidental. É claro que, sendo um acharya auto-realizado, ele teve a liberdade para tomar decisões como a redução do número de voltas de japa diariamente de 64 para 16 e dando iniciação brahmínica para as mulheres. Ao mesmo tempo em que devemos ter cuidado para não alterar a essência do que Srila Prabhupada nos passou, ele deu muitos exemplos de como praticidade no serviço a Krsna substitui as regras e regulações estritas.

Prabhupada fez muitas coisas para acomodar nossa mentalidade ocidental, desde possuírem banheiros ocidentais em seus projetos para templos indianos, a permitir que homens e mulheres convivessem juntos em comunidades no templo. Ele era progressista e inovador em sua pregação. Ele deu permissão para os distribuidores de seus livros para vestirem-se com roupas ocidentais. Ele sempre tomou decisões com base naquilo que iria beneficiar a massa de pessoas, mesmo que não estivesse em conformidade com os padrões védicos.

Em um comentário Prabhupada escreve: “Para difundir a cultura da consciência de Krishna, a pessoa tem de aprender a possibilidade de renúncia, em termos de país, tempo e candidato. Um candidato à consciência de Krishna nos países ocidentais deve ser ensinado sobre a renúncia da existência material, mas alguém ensinaria aos candidatos de um país como a Índia, de uma forma diferente. O professor tem que considerar o tempo, o candidato, e o país. Ele deve evitar o princípio da niyamagraha, ou seja, ele não deve tentar realizar o impossível. O que é possível em um país pode não ser possível em outro. O dever do acharya é aceitar a essência do serviço devocional. “Shri Chaitanya-caritamrta Madhya-lila 23,105)

É importante ver que Prabhupada tentou diferentes estratégias para a difusão da consciência de Krishna. Se algo não estava dando certo, Prabhupada agia rápido para mudar isso. Por exemplo, o canto público, harinama, foi uma estratégia bem sucedida para espalhar a Consciência de Krishna no Ocidente, mas, quando Prabhupada levou seus discípulos para introduzir harinama sankirtana na Índia, isto não foi eficaz, ao contrário, isto criou uma impressão negativa do nosso movimento, apesar do fato do Senhor Chaitanya ter propagado a consciência de Krishna por toda a Índia através do harinama sankirtana há 500 anos atrás. Prabhupada foi capaz de avaliar a situação e elaborar um programa de membros vitalícios (Life Membership) na Índia, que se mostrou muito bem sucedido.

Nós, como discípulos de Prabhupada, não fomos tão flexíveis em nosso pensamento e não fomos capazes de fazer ajustes como Prabhupada fez. Pensamento rígido e dogmas duros, muitas vezes deixaram os devotos em situações muito difíceis.

Gostaria de citar um exemplo pessoal de como o pensamento inflexível pode criar um dilema para os devotos. Minha autoridade no templo aconselhou-me que, deixar meu marido caído era aceitável, mas que casar novamente não era aceitável.  Eu era uma jovem mãe com um filho de quatro anos de idade. As escrituras realmente dizem que uma mulher não deve se casar novamente, mas elas também ensinam que uma mulher deve sempre ser protegida, quer por um marido, pai ou filho adulto. Desde que ficar no meu casamento não era uma opção, a única possibilidade que a minha autoridade me deixou foi permanecer solteira e desprotegida. A cultura védica foi criada para proteger mulheres não casadas. Infelizmente, a ISKCON teve (e ainda tem) um longo caminho a percorrer em direção à proteção das mulheres solteiras.

Eventualmente, eu me casei novamente, e o segundo casamento tornou-se tacitamente aceito na ISKCON, devido ao fato de ser dado à mulher solteira um apoio e facilidades limitadas. Embora eu não defenda o divórcio e o segundo casamento, eles se tornaram necessários para a sobrevivência da primeira geração de Grihastha ashrams da ISKCON. Muitos casamentos aconteceram com pouca consideração de compatibilidade espiritual e material entre os devotos. Alguns devotos nem mesmo viram seus noivos ou noivas antes da cerimônia de casamento. Em outras situações, no momento em que um homem e uma mulher começaram a se associar, a comunidade já se dirigia a eles como marido e mulher. Isso criou uma grande pressão em casais incompatíveis a amarrarem o nó. Olhando para trás, é fácil ver nossas tentativas como uma imitação muito ruim do estilo védico de casamentos arranjados, sinceras, mas desorientadas.

Outro obstáculo que os devotos ocidentais encontram em manterem seus cônjuges adequadamente é a prática de uma doutrina em uma cultura que promove intensamente os encontros românticos. Romance e amores passionais são o tema da maior parte da literatura e apresentações na mídia. Basta fazer nossos afazeres diários, para sermos bombardeados com imagens de abraços, e beijos de casais.

No Srimad-Bhagavatam (Sexta Canto), há a história de Ajamila, um brâmane piedoso que deixou sua esposa santa por uma prostituta depois de testemunhá-la abraçando apaixonadamente seu pretendente. Ajamila havia sido treinado em princípios religiosos, desde o nascimento, e somente pessoas religiosas o cercavam, mas mesmo assim ele caiu como resultado de assistir a uma visão que é onipresente em nossa cultura. Em nosso estágio neófito de avanço espiritual ainda somos presas para maior atração de Maya.

A instituição do casamento está se tornando cada vez enfraquecida na cultura em que vivemos. No Srimad-Bhagavatam é predito que os homens e mulheres em Kali Yuga se uniriam com base somente na atração sexual. Conseqüentemente, quando a atração sexual diminui, o que é inevitável, o casal se separa.

O relacionamento saudável entre o homem e a mulher é o alicerce de uma sociedade forte. Em um comentário do Srimad-Bhagavatam Srila Prabhupada afirma:

Tratamento carinhoso com o marido é muito importante. Recomenda-se que a mulher seja apegada e atraída por ele. Ela deve tratá-lo com intimidade amorosa. É agradável ao marido saber que sua esposa é dedicada a ele, desejosa em agradá-lo e ajudá-lo a cumprir seus ideais conscientes de Krishna. Se a renúncia imediata é difícil para ele, isso permitirá um homem a diminuir gradualmente seus desejos materiais. “Após ser treinado na vida familiar e seus desejos luxuriosos terem diminuído, ele pode mover-se para qualquer lugar sem perigo”. (Bhagavatam-Shrimad 5.1.18)

É fundamental que nós comecemos a preparar nossos filhos desde uma idade muito jovem a viverem corretamente no ashram de Grihastha. Quanto mais cedo nós introduzirmos habilidades para a vida, que ajudem as pessoas a terem relacionamentos mais satisfatórios, melhor. Parte do currículo para a educação das crianças deve incluir as habilidades de relacionamento. Estas incluem as habilidades de comunicação, competências de assertividade e habilidades de resolução de conflitos. Os adolescentes precisam entender a diferença entre paixão e apego saudável e duradouro. Autoconhecimento e introspecção precisam ser muito estimulados para ajudarem aos jovens a compreenderem seu estado e estrutura psicológica, e que tipo de pessoa seria uma boa parceira na vida.

Podemos também usar mapas astrológicos e perfis psicológicos de personalidade, como o indicador de Myers-Briggs Type para ajudar os pais e filhos a compreenderem suas naturezas e para melhor permitir que se avalie a compatibilidade com o cônjuge em potencial.

Outra forte recomendação para os casais é um namoro prolongado. A perspectiva idílica vivida durante o período de paixão geralmente dura entre seis semanas a seis meses. Durante este período, a pessoa é incapaz de ver os defeitos de sua amada. Há a ilusão de que esta pessoa vai fazê-la feliz eternamente, e nós sentimos como se estivéssemos flutuando sobre uma nuvem. Durante este período de euforia, as nossas melhores qualidades se sobressaem. Nós somos mais altruístas e generosos do que em qualquer outro momento. Podemos ter aumento de energia e podemos ter dificuldade para comer ou dormir.

A paixão é o reflexo pervertido do amor incondicional por Krishna. A diferença é que o amor por Krishna aumenta eternamente e nunca acaba, enquanto a paixão diminui e a realidade da imperfeição desmistifica o amado. Se o casal tem muito em comum, o relacionamento continua se não, eles geralmente se separam logo após a paixão acabar. Por conseguinte, é importante que os casais não se casem ou assumam compromissos fortes, até que passem por esse período. Claro, isso é mais fácil dizer do que fazer, pois muitas vezes os casais apaixonados não podem agir pela razão. Isso mostra o quão essencial é a preparação antes que o apego se afirme.

Outra ferramenta muito útil para os casais que planejam o casamento é o aconselhamento pré-marital. O casal pode explorar e compartilhar as suas expectativas de casamento. Muitas vezes as pessoas nem sequer pensam sobre o que eles querem ou precisam de um relacionamento. Eles de alguma forma esperam que o cônjuge vá magicamente atender a essas indefinidas, necessidades não ditas. Quando isso não acontece, tornam-se desapontados e irritados. Muitas vezes, no aconselhamento de casais, estas expectativas e necessidades são uma revelação tanto para o cônjuge como para a pessoa que as expressam. Ajudar os casais a analisarem estas questões desde o início dá um tom de acolhimento e orientação para o casamento. Ele também pode ajudar um casal a entender que eles são menos compatíveis do que eles pensavam e permitir-lhes a separação antes de se casar e terem filhos. Minha experiência com crianças devotas é que elas parecem muito mais cautelosas sobre entrar em relacionamentos que seus pais, talvez porque elas viram e sentiram a dor e o caos das relações rompidas de seus pais.

Grupos de homens e mulheres têm sido incentivados nas comunidades de devotos como uma forma de dar apoio e encorajamento um para o outro. É uma falácia pensar que nossos cônjuges são capazes de satisfazer todas as necessidades do nosso relacionamento.  Formando relacionamentos íntimos com outros devotos neste fórum pode ajudar a dar suporte à relação dentro do casamento e dar associação a homens e mulheres solteiras. Todos nós temos necessidade de sociedade, amizade e amor. Incapacidade de encontrar essas coisas na sociedade de devotos pode se tornar uma razão para deixar a consciência de Krishna. Até certo ponto, esses grupos também podem desempenhar o papel que a família desempenhou na cultura védica. Nos primeiros anos da ISKCON, casais grihasthas muitas vezes lutaram com suas dificuldades em isolamento. Isto teve um efeito negativo tanto na relação marital quanto em sua consciência de Krishna. Nosso grihastha ashram se tornará muito mais forte quanto mais se discutir abertamente nossas dificuldades e nos aconselhemos um com o outro.

Somos pioneiros desse movimento, e Prabhupada e Krishna nos deram uma grande responsabilidade. Antes de falecer, Prabhupada disse que metade do seu trabalho foi feito e que ele estava deixando a outra metade para nós. Prabhupada se referia à criação de varnashrama dharma: como criar uma sociedade que satisfaz as necessidades materiais das pessoas e suas inclinações, ao mesmo tempo em que se elevam espiritualmente. Isso exigirá uma grande quantidade de maturidade, flexibilidade e pensamento criativo, bem como sadhana forte.

Os relacionamentos fortes são um pré-requisito para tornar bem sucedido qualquer projeto. As pessoas julgam nosso movimento, observando nossos relacionamentos. Assim é de nosso melhor interesse nos tornar especialistas em relacionamento. Eu incentivo fortemente comunidades de templos a incluirem workshops regulares sobre as habilidades de comunicação, assertividade e habilidades de resolução de conflitos.

Sem dúvida, houve muitos erros no passado, e nós precisamos curar os efeitos dos erros. Também precisamos aprender as lições destes erros e evitar que eles voltem a acontecer. Desta forma, podemos ir em frente com novas perspectivas e otimismo para o futuro.

Bibliografia
A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada. Sri Caitanya-Caritamrta. Los Angeles: BBT, 1975.
A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada. Srimad Bhagavatam. Los Angeles: BBT, 1975.
Tradução Bn. Rosana Araújo.


-Amorzinho, se você ficar até amanhã (que é feriado do funcionário público) eu te levo para ver Bhakti Dhira Damodara Swami no Adi-Templo.

Foi assim que convenci meu namorado a ficar mais um dia comigo, aqui em São Paulo. O templo estava bem cheio, o kirtana (canções para Deus) estava excelente e o meu humor muito bom, afinal de contas não tem nada mais prazeroso que ficar num tempo com alguém que a gente ama. Fomos bem recepcionados por alguns devotos conhecidos. O Júnior ficou todo vaidoso quando o Maharaj (Bhakti Dhira Damodara Swami, que é um líder religioso) o reconheceu…

Há exatamente um ano Júnior traduziu uma aula do Swami em BH e o levou ao aeroporto, porém ainda assim ficou na mental de não ser lembrado, até entendo, porque os sannyasis conhecem gente do mundo todo. Porém durante o kirtana BDDS olhou em seus olhos e abriu um sorriso lindo. Meu amor ficou extasiado e pulou que nem criança até o final do festival. Quando todos estavam saboreando o delicioso jantar, o Junior sentou ao lado do Swami e conversou com ele durante um tempão. Eu fiquei toda orgulhosa do meu amor, ele conseguiu estabelecer o maior bate-papo e em inglês.

Porém a parte mais engraçada da noite ainda estava por vir, o Júnior me apresentou como esposa para o Bhakti Dhira Damodara Swami. Nham! Nham!

Lendo ao livro o Guerreiro Espiritual 1, o qual ganhei do meu namorado, me deparei com uma coisa que acontece comigo logo no primeiro capítulo! Bhakti Thirta Swami, o autor, está dissertando sobre sono e sonhos e escreveu:

 Quando você entra em um ambiente que é diferente daquele em que você costuma dormir, lembre-se de que cada residência tem a energia da pessoa que a freqüenta. Algumas pessoas, especialmente aquelas que são espiritualizadas, acham difícil descansar bem em hotéis e motéis. Elas ficam incomodadas pela energia impura que permeiam esses ambientes, mesmo que o local não tenha sido utilizado há vários meses. É saudável purificar esses tipos de ambientes tocando fitas de musica espiritual. Por cantar, meditar, ou mesmo colocar imagens espirituais durante sua estadia, você pode transformar o local num lugar que aumenta de fato sua consciência espiritual.

 Sou muito sensitiva e tenho uma religiosidade mediana. Todas as vezes que viajo e durmo em quarto de hotéis, nunca fui a um motel, quando mais antigo sinto mais carregado, tenho dificuldade em dormir. Além de escutar fantasmas, às vezes eu os vejo. Sempre peço a Deus para me proteger e me manter distante dessas criaturas, o que dá um resultado bastante positivo. Creio que elas se aproximam da gente num momento onde estamos mais relaxados e cansados, como os devotos diriam, na tama guna. Não uso drogas, dizem que os viciados têm uma predisposição maior para serem comedidos de tais criaturas sutis do que as pessoas limpas que nem eu, porém quando estou muito cansada e relaxada é o momento que escuto a festa do outro plano.

Digo festa porque na última vez que fui para Buenos Aires me hospedei no Marriott, um antigo hotel  cinco estrelas, muito lindo, muito brocado, muito cheio de cristais e serviçais muito bem educados… porém na hora de dormir tive a experiência mais pitoresca em contato com espíritos. Escutei tanta coisa, tanta, que parecia estar numa festa. Embora estivesse sozinha num quarto de hotel, não me afligi em nenhum momento, porque eles são completamente inofensivos para as pessoas fechadas espiritualmente.

Desde criança sempre achei corredores de hotéis aterrorizantes. São lugares um pouco obscuros, misteriosos e não muito iluminados. Imagine a história de um hotel antigo… Quantos amores, quantos desprazeres, quantas mortes, separações, lua de mel … depois que vi o filme O Iluminado, fiquei ainda mais impressionada com longos corredores acarpetados vazios.

 

 

Porém a dica de Maharaj para espiritualizar o local parece-me bem pertinente e fácil. Levar uma foto de Krishna, do Guru, de Jesus Cristo, de Buda… é uma atividade simples e que pode fazer toda a diferença. Vou experimentar da próxima vez.

 

Sabe uma coisa que acho engraçado nessa minha vida Hare Krishna? São as cobranças que recebo por atos de terceiros… sabe? Por exemplo, outro dia fui a uma festa karmi e um devoto estava tomando aquela cervejinha básica. Daí ao invés de perguntarem a ele se isso era certo ou permitido, questionam a mim que nada de errado estava fazendo.

Tomar cerveja para devotos iniciados, que se comprometeram a ter uma vida espiritual e não se intoxicar para o Guru e todos os outros devotos, é um erro, claro! Achar que ninguém está vendo é outro, e Paramatma? Sabe? Eu não tenho culpa dos devotos que saem da regra, aliás, o tal sujeito nem amigo meu é. Por isso, acho fora de nexo essas cobranças que fazem a minha pessoa. Só posso responder por mim (no máximo por minhas duas gatinhas que são dependentes de mim).

A pessoa cuja a consciência está confundida pela ilusão percebe muitas diferenças de valor e significado entre os objetos materiais. Dessa maneira, ela se ocupa constantemente na plataforma do bem e do mal materiais e fica presa a tais concepções. Absorta na dualidade material, essa pessoa contempla a execução de deveres compulsórios, a não execução de tais deveres e a execução de atividades proibidas.

Srimad-Bhagavatam

O Senhor Krsna instrui Uddhava

(11.7.8)

 

 

Nunca escondi de ninguém que ando afastada dos devotos do templo de São Paulo há quase dois anos. Sou encrenqueira e perfeccionista, se a coisa está errada eu vou reclamar o que acarreta algumas inimizades e encrencas. Entretanto quando sou amiga e amo defendo a pessoa contra tudo e contra todos. Compro brigas. Considero-me uma amiga atenciosa, presente e fiel. Inclusive as minhas colegas de trabalho quiseram me eleger como a representante dos trabalhadores, para representá-las junto à diretoria da empresa, porque nunca me calei com medo de perder o emprego quando alguma coisa está errada e abusiva. Não admito que falem mal dos que gosto, quer ser minha inimiga? Faça isso! Vou entrar no seu joguinho a priori, para deixar-te bem à vontade e te ajudar expor todo seu pensamento medíocre, aliás, as pessoas perversas que falam mal da gente sempre são medíocres e maior parte das vezes improdutivas.

Embora não esteja constante templo de São Paulo há praticamente dois anos, também estou afastada da grande maioria dos devotos, inclusive tendo uma vida com alguns luxos o que causa inveja a muita gente, ainda consigo me manter firme nos votos que fiz quando fui iniciada pelo meu mestre espiritual. Algumas pessoas me apontam como uma péssima devota, porém quem são elas para me julgar dessa forma? Infelizmente o perfil da turminha que me aponta não é um perfil reto e admirável. Geralmente são pessoas que mantém relações sexuais fora do casamento e tem inclusive filhos sendo solteiras. Acho que está na hora das pessoas olharem para seu próprio umbigo e verem que a vida delas não é cor-de-rosa e não devem importunar quem está quieta.

Além disso, quem me viu quebrando alguma promessa do mestre espiritual envie um comentário aqui no blog, se identificando é claro, que eu aprovo. Deixarei meus comentários todos abertos para as pessoas que me viram beijando, nem digo transando, após ter sido iniciada. Não beijei ninguém. Comer bichos, bom nem tenho o que comentar, sou vegetariana antes de ser devota, por compaixão mesmo. Veracidade e os jogos de azar, não compro nem rifa, alguém viu? E sobre intoxicação, não bebo, não fumo, nunca usei uma droga ilícita e até quando fico doentinha tento rever a saúde com remédios alternativos. Canto japa e o gayatri regularmente. Não me acho superior a ninguém, mesmo tendo duas iniciações até porque o cara que eu gosto não tem nenhuma e isso não muda em nada o que sinto em relação a ele. Conheço muitos brahmanes, devotos mais antigos, iniciados que não extremamente sexistas e se escondem através de um dhoti, roupa indiana do homem, bem passado. Aliás, conheço até aqueles que querem te ganhar pela devoção, já fui vítima de cantadas bastante vulgares em frente ao Senhor Jagannatha. Assim como, existem bhaktas, o que quer dizer devotos mais novos, fantásticos. Até porque em minha religião muitos não são membros desde nascidos, ou são os únicos Hare Krishna da família, então o que continua valendo é a educação que a pessoa teve em casa e os bons valores que os pais passaram. Família estruturada é tudo!

Outro tema muito recorrente entre meu fã clube do mal, é minha mania de luxos e beleza. Quando me tornei devota no ano de 2000 já havia iniciado minha faculdade de moda. Quando era bem neófita, ainda sou, mas já fui mais, e me apresentava aos devotos como estudante de moda, muitos me criticavam como se tivesse algum tipo de doença contagiosa. Lembro-me que depois de algumas experiências desagradáveis comecei a dizer que era estudante de artes plásticas, o que me atribuiu certo conforto em relação aos preconceitos que sofria. Quando me apresentei ao meu Guru, nunca precisei mentir a respeito, e ele com criatividade, usou esse meu dom para reverter a tão horripilante moda em fundos para Goura Vrindávana, que é o meu lugar da ISKCON favorito. Não que ele concorde comigo em gastar muito dinheiro com maquiagens, roupas e sapatos, mas nunca me discriminou por querer ser bonita, estar arrumada, levemente maquiada e com um sári, roupa feminina indiana, bonito. Inclusive acho muito pior as devotas que usam sáris com cinturas baixíssimas revelando toda a barriga, e muitas vezes até deformando o corpo, inclusive das mais magras, numa sensualidade desnecessária e inadequada para um ambiente religioso. Muito melhor ser bonita por estar elegante e arrumada, o lugar de piriguetes é no baile funk, né? Quem não me conhece pode até ter a falsa idéia que sou afetada e deslumbrada, não sou. Só gosto de me cuidar e faço tudo dentro da minha realidade, nada muito discrepante.

Por isso, pense com inteligência antes de apontar um dedo para mim, porque terão três apontados para você. Siga a vida de uma maneira mais independente e não se preocupe tanto comigo. Afinal de contas, estou sendo feliz enquanto você está sendo tola.

Olha que fofura, mais uma vez, a Anandini fez comigo… amiga, assim você me mata de emoção, com seu carinho mesmo de longe. Mais uma vez a Anandini me mandou um postal lá da Índia, onde vive há pouco tempo com toda sua família. O que acho mais gostoso é o fator surpresa, não estou esperando nada e de repente recebo um agrado vindo dos correios. Minha amiga sabe que coleciono e amo postais… É uma atitude muito afetuosa e fofa. Não sei nem como agradecer suas palavras.

Espero sim, um dia poder ir aí para a Índia. É um sonho, mas a viagem é cara e eu não teria a menor coragem de ir sozinha. Preciso esperar uma excursão dos devotos, ou qualquer coisa do tipo, que calhe com minhas férias. Fico vendo as fotos de Gurudeva, os vídeos de Vaikunta e a lombriga dentro de mim fica toda assanhada, creio que ainda terei sim essa oportunidade. Se um dia calhasse de tê-la como guia seria mais agradável ainda, vamos ver o que Krishna tem reservado para nós, tudo o que Ele quer é bom.

Anandini, por favor, me passa seu endereço novo, só tenho o do Brasil, e você sabe que assim como amo receber cartões e cartinhas, amo mandar também. Saudades e uma ótima nova vida para você aí, espero que tenha muito sucesso e que em breve possa te dar um abraço, seja em qualquer um dos dois países.